RECLAMANDO UM ESPAÇO


01/11/2008


BLUES

 

Como levar alguém que vai morrer

pra ver o sol nascer

como se fosse a primeira vez

 

Como um garoto cruzando o Atlântico num barco a vela

 

Como uma jovem mãe que perde o filho

no parque de diversões

 

Tipo esses filmes ruins que me fazem chorar

como um idiota que perdeu a paz

 

Como o garoto solitário

que entra de penetra na festa de aniversário

 

Como o filho cobrindo os pés do pai

a beira da morte

 

Como o viciado contando os dias

que permanece limpo

 

Como alguém que desistiu de ver o por do sol

 

Como alguém fechando a tampa do piano

 

Como alguém que você espera

entrando pela porta

 

Como alguém que você sempre esperou

e que nunca vai entrar

 

Como aquela mulher que não vai voltar

 

Como aquelas desavenças que nunca deixamos pra lá

 

Como aquelas coisas que julgávamos indispensáveis

e que depois de muitos anos

encontramos no vão do sofá

(Mário Bortolotto)

"Como o viciado contando os dias que permanece limpo". Este blues vem bem de encontro com meu momento. Luta diária sensação de perda, de ganho, na verdade tudo muito confuso. Tenho que rever meus valores meus amigos. Outro dia estive em Londrina e fui no espaço "Cemitério de Automóveis", na verdade só fui porque prometi para o Flávio Jacobsen levar o CD do "GRUVOX" para a Cris, para agendar uma apresentação. E tive uqe ficar ouvindo o Léo vociferar pela enésima vez que não pode me ver que se lembra da Rosa, e o Angenor simplesmente descompensado dizendo que eu era muito louca e tal e tal. Caralho será que esse pessoal só vive de lembranças e nostalgias baratas.  Tô cansada de tudo isso. Enfim a clinica tem sido um exercício diário de paciência e obstinaçãov e abstinência. Semana que vem no momento cultural  faço uma apresentação sobre a vida da poeta e letrista Alice Ruiz, . O tratamento é muito decente.  Arte terapia, atividades físicas, relaxamento, momentos culturais, palestras, lazer, medicação, psicoterapia, psiquiatria. E eu como uma águia precisando arrancar o bico, as penas e as unhas. sE QUISER SOBREVIVER. o PIOR É QUE AINDA NÃO SEI SE QUERO.

 


 

Escrito por lilith às 18h06
[ ] [ envie esta mensagem ] [ ]

Perfil



Meu perfil
BRASIL, Sul, CURITIBA, CACHOEIRA, Mulher, de 36 a 45 anos, Mongolian, Arte e cultura

Histórico